sexta-feira, 19 de maio de 2017

Bairrismo na cidade

São as ruas que se cruzam. As esquinas que se viram. São os ruídos que se misturam com os cheiros. São as janelas abertas, são as portas a bater. É a criança que grita enquanto corre para a bola. É o passar na rua e ver pela janela a mesa cheia, às vezes não do verbo ter mas do verbo ser. Ser família, ser amigo, ser presente, ser conversa, ser abraço e aconchego.
E é viver assim em cidade que ainda me admira. Aquele pequeno bairrismo que se encontra quando o dia para inicio da noite vira.
E eu dou por mim, a constatar que ainda se vive em cidade, talvez ainda próximo da aldeia. Não geograficamente mas no estar.
Estar na calma, estar na serenidade, estar na casa. Estar. Só por estar.

Foi isto que me apercebi quando caminhava um dia ao inicio da noite na minha cidade. Ainda há aldeia dentro daquela cidade. Ainda há um estar calmo e sem sobressalto. E admirou-me. E admira-me!
E na vossa, como é?